Ministra revela que negros ainda sofrem discriminação no país
Segundo a ministra, ainda é perceptível que as pessoas mais velhas, entre os negros, têm mais acesso às universidades públicas do que a população jovem. “Temos algumas evidências relativas a questão da taxa líquida de matrícula no ensino superior, por exemplo, temos uma diferença cada vez maior de alunos brancos e alunos negros”, comentou, em conversa com o Portal Infonet. “Significa que existe na comunidade negra um atraso do ponto de vista da entrada na universidade. Entram mais as pessoas mais velhas”, analisa a ministra.
Bairros admite que o Brasil ainda precisa adotar medidas eficazes para que o maior número de jovens negros tenham mais acesso à universidade e a saída está, no entendimento da ministra, no sistema de cotas. “Temos tramitando no Congresso projeto de lei que institui cotas para todas as universidades federais e institutos técnicos e isto significa 50% das vagas das universidades e, dentro disso, cotas para negros equivalentes ao percentual da nossa população em cada estado”, explica. “Isto vai provocar um avanço muito grande no nosso acesso à educação superior”, acredita.
Carinho
A ministra Luíza Bairros aguardou o governador Marcelo Déda por algumas horas para dar início à solenidade de lançamento do catálogo Religiões de Matriz Africana em Sergipe e da Cartilha Pedagógica das Religiosidades de Matriz Africana e da Promoção da Igualdade Racial articulados pela Secretaria de Estado dos Direitos Humanos. O governador chegou ao local do evento com quase duas horas de atraso.
Enquanto aguardava o governador, a ministra conversou com ialorixás, babalorixás e visitou a exposição de artes plásticas produzida por artistas sergipanos que retrata a cultura afro. De Severo D´Acelino, presidente da Casa de Cultura Afro Sergipana, a ministra recebeu duas obras da literatura afrosergipana, de autoria do próprio D´Acelino: Panafrica – obra lançada nos anos 1990 [poesia], e Mariow – lançado em 2002 [contos]. “São livros que tratam da diversidade, onde o matriarcado convive com os menores abandonados”, explicou D´Acelino, no encontro.
Da professora Leila Argolo, a ministra Luíza Bairros ouviu explicações dando conta que em Aracaju a Escola Municipal Infantil Maria Clara Machado já trabalha a cultura negra com os alunos há onze anos, desde que foi criada. Cerca de dois anos antes de entrar em vigor a lei 10.639, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. A lei em questão foi sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 9 de janeiro de 2003. “Ela ficou bastante feliz em saber disso”, contou a professora.
A professora revela que o projeto naquela escola tem surtido efeitos positivos entre os alunos. “Os alunos identificam com muita propriedade quando sofrem o racismo”, informa Argolo.
A ministra também conversou com o diretor-tesoureiro da OAB/SE, Sandro Mezzarano, que representou a entidade no evento e justificou a presença. “O papel institucional da OAB é a defesa da Constituição e, dentro dela, está a defesa da pessoa humana, que passa pela promoção da igualdade racial como forma de conscientização que a miscigenação da raça faz do povo brasileiro um povo de tamanha singularidade”, conceituou Mezzarano.
Fonte: SEPPIR