A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), registrou 10.387 atendimentos à população quilombola, capacitou 10.202 servidores pelo Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI), cadastrou 1.325 terreiros e concedeu 237 ações de apoio a manifestações culturais negras, segundo os indicadores do Planejamento Estratégico 2025–2028 atualizados até agosto deste ano.
Além disso, no mercado de trabalho, o Selo da Diversidade Étnico-Racial conta com 205 empresas e instituições certificadas e cerca de 10,5 mil colaboradores sensibilizados sobre racismo, diversidade e inclusão através do PCRI.
O Programa de Combate ao Racismo Institucional promove, na administração municipal, a formação de servidores para identificar e enfrentar práticas discriminatórias, qualificando o atendimento à população e fortalecendo a igualdade racial na rotina dos órgãos públicos.
A secretária municipal da Reparação, Isaura Genoveva, afirma que a participação popular é central na construção dessas políticas. “Todos os nossos projetos e ações visam à participação da comunidade e ao respeito à diversidade. Fazer reparação é aproximar o poder público da população soteropolitana e entregar políticas públicas que cumpram seu papel de melhorar a vida do povo”, pontua a titular da Semur.
Selo da Diversidade – O Selo da Diversidade Étnico-Racial reconhece organizações comprometidas com a superação da discriminação racial no mercado de trabalho. Com validade anual, contempla tanto instituições que já desenvolvem políticas de igualdade racial quanto aquelas que desejam iniciar esse processo, mediante a assinatura de um pacto.
Entre os empreendimentos reconhecidos, está o Shopping Center Lapa, que chegou à 18ª certificação consecutiva. Para a gerente de Marketing do estabelecimento, Aline Ferraz, a continuidade do reconhecimento demonstra o compromisso do shopping com a pauta.
“Estar entre os primeiros empreendimentos a acreditar no Selo da Diversidade Étnico-Racial é motivo de orgulho para nós. Chegar à 18ª certificação consecutiva reforça que esse é um compromisso que faz parte da nossa história, não uma iniciativa pontual”, afirma.
Cadastramento dos terreiros – O registro das instituições religiosas de matriz africana permite identificar suas necessidades e encaminhar demandas aos órgãos municipais. O procedimento pode ser iniciado pela internet (terreiro.salvador.ba.gov.br/
Para concluir o cadastro, o requerente deve apresentar a documentação necessária na sede da Semur, localizada na Rua do Tesouro, Edifício Nossa Senhora da Ajuda, s/n, 6º andar, no Centro. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 8h às 16h.
Por meio do Programa Baobá, a secretaria reúne informações sobre os terreiros e facilita o acesso a políticas como isenção tributária, regularização fundiária e melhorias dos espaços religiosos pelo Casa Odara.
Melhorias nas casas – A atuação municipal também contempla a recuperação de espaços comunitários pelo Morar Melhor Entidades, executado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), em parceria com a Semur. Criado em junho de 2024 como um desdobramento do Morar Melhor Habitação, o programa atende terreiros, creches comunitárias, asilos, associações de moradores e outras organizações que desenvolvem projetos sociais em Salvador.
Em 2025, após cerca de um ano e meio de atividade, a iniciativa contabilizava 195 instituições beneficiadas, com previsão de atender outras cinco até o encerramento daquele ano.
Entre os primeiros terreiros contemplados, está o Ilê Axé Ogun Alabeji, conhecido como Terreiro de Jagun, no Engenho Velho de Brotas. O espaço recebeu pintura, melhorias no piso do barracão e no telhado dos quartos de santo. A ekedi Joselita Sacramento, de 70 anos, foi criada no terreiro e é uma das herdeiras do espaço deixado pela avó. “Em 70 anos, nunca tínhamos recebido uma reforma do poder público. Para nós, essas melhorias foram muito importantes. O terreiro é nosso templo, guarda a nossa história e mantém viva a nossa ancestralidade. Cuidar desse espaço é preservar o legado de quem veio antes e garantir sua continuidade para as próximas gerações”, afirma Joselita.
As intervenções do programa incluem reboco, chapisco, pintura, troca de esquadrias, serviços elétricos e hidráulicos, instalação de piso cerâmico e substituição de telhados e equipamentos sanitários. As obras recuperam os espaços existentes, sem novas construções ou alterações estruturais.
As organizações interessadas devem procurar a Seinfra, que analisa o pedido, agenda uma vistoria técnica e avalia a viabilidade das melhorias. As entidades precisam estar formalmente registradas e apresentar ata com a identificação dos integrantes da direção. Para os terreiros, também é obrigatório o cadastro na Semur.
Viver Salvador Terreiros – Coordenado pela Vice-Prefeitura e pela Semur, o projeto leva serviços municipais aos espaços religiosos, ampliando o acesso a direitos e fortalecendo o diálogo com as comunidades. A terceira edição ocorreu no início de outubro, no Centro Umbandista Paz e Justiça, em Luiz Anselmo. A ação reuniu serviços de saúde, assistência social, empregabilidade, qualificação profissional, empreendedorismo, sustentabilidade, cultura e lazer para moradores e integrantes da comunidade.
“Estar nas ruas é também uma forma de mostrar o trabalho que a Semur desenvolve em articulação com as demais secretarias municipais, contribuindo para que as pessoas entendam qual é a nossa função na sociedade. Estamos obtendo um resultado positivo com todas as ações que trouxemos nesta gestão”, aponta a secretária de Reparação.
A primeira edição da iniciativa aconteceu no Ilê Axé Oxumaré, na Federação, e a segunda, no Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro.
População quilombola – As ações voltadas às comunidades quilombolas buscam ampliar o acesso a direitos e incorporar as necessidades dos territórios ao planejamento municipal, considerando suas características sociais, culturais e históricas.
O apoio à permanência no ensino superior inclui a Casa do Estudante Quilombola, no Canela, próxima à Universidade Federal da Bahia (Ufba). Inaugurada em 2022, a unidade tem capacidade para acolher até 40 estudantes quilombolas da Ilha de Maré matriculados em instituições de ensino superior de Salvador. A residência oferece quartos, cozinha, banheiros e espaços de estudo e convivência, reduzindo as dificuldades de deslocamento diário entre a ilha e as universidades.
Reportagem: Camila Vieira / Secom PMS
A Secretaria Municipal da Reperação (Semur) finalizou o mês de setembro com duas grandes entregas propostas que levaram reparação, respeito e cidadania para a população de Salvador. Com o investimento de R$ 2,5 milhões da Prefeitura, a Semur lançou o ‘Edital Wanda Chase’ com o objetivo de reconhecer formalmente a trajetória histórica das entidades carnavalescas de matriz africana, além do início do Viver Salvador Terreiros.
O edital foi lançado visando premiar 250 grupos, que receberão R$ 10 mil cada, contemplando Afoxés, Blocos Afro, Blocos de Reggae, Blocos de Samba, Blocos de Capoeira, Blocos de Hip Hop e Blocos de Índio.
Já o Viver Salvador Terreiros foi iniciado na Casa de Oxumarê e no Terreiro Casa Branca com a integração entre os serviços da reparação, serviços de saúde, assistência social, cidadania, cultura, beleza e bem-estar para a população. A iniciativa amplia o acesso a serviços essenciais e reforça o terreiro como um espaço de acolhimento, cuidado, convivência e promoção social, em parceria da SEMUR com diversas secretarias municipais.
A secretária da SEMUR, Isaura Genoveva, ressaltou a importância dos lançamentos da pasta, que marcam as grandes entregas da gestão. “O mês de setembro foi muito especial para nós com os lançamentos do Edital Wanda Chase e do Viver Salvador Terreiros. Mostra que nossa equipe cuida da população e, o mais importante, leva o poder público à sociedade. Queremos sempre estar na rua, ouvir o povo, e isso só é possível com a integração das pastas e o trabalho conjunto”, finalizou a secretária.
A Prefeitura de Salvador promoveu, nesta quinta-feira (1º), a segunda edição do Viver Salvador Terreiros, levando ao Ilê Axé Opô Afonjá, no São Gonçalo do Retiro, uma série de serviços gratuitos nas áreas de saúde, cultura e lazer, beleza e bem-estar, além de campanhas educativas. A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal da Reparação (Semur).
Frequentadores do terreiro e moradores das proximidades tiveram acesso a uma série de serviços gratuitos. Na área da saúde, foram oferecidos atendimentos com clínico geral, cardiologista e dentista, além de exames de mamografia e eletrocardiograma. Também foi possível agendar ultrassonografias e realizar testes rápidos para detecção de ISTs.
A programação incluiu ainda ações de proteção às mulheres e aos animais, com agendamento de castrações e orientações sobre saúde animal. O público também pôde participar de oficinas, como a de produção de sabão com azeite de dendê, e receber mudas por meio do programa Horta em Casa. As atividades culturais também contaram com a participação de um coral formado por crianças da comunidade.
Quem buscava oportunidades de trabalho pôde consultar vagas com a equipe do SIMM e ter acesso a serviços sociais. Também foram realizados cadastramentos e recadastramentos de terreiros para regularização fundiária, além de orientações sobre imunidade tributária.
A dona de casa Ednalva Carvalho, 64 anos, aproveitou a ação para colocar a saúde em dia. Ela tomou as vacinas contra a gripe e a Covid-19, passou por atendimento clínico e ginecológico e realizou exames, incluindo eletrocardiograma, mamografia e teste rápido para detecção de ISTs.
Além dos serviços de saúde, ela participou de atividades de saúde bucal, com escovação e distribuição de kits de higiene. Ednalva ainda levou familiares para participar da programação. “Gostei muito dos serviços. Fiz exame do coração, passei pelo clínico e pelo ginecologista. Também fiz a mamografia e o teste rápido. Só posso agradecer pelo atendimento e pelo carinho que vocês tiveram com a gente”, afirmou.
A vice-prefeita Ana Paula Matos, que esteve presente no terreiro, falou sobre a importância de ampliar as ações realizadas pela Prefeitura diretamente nas comunidades. Segundo ela, a experiência com o projeto Viver Salvador mostrou que, além das atividades culturais, os moradores também demandam acesso a outros serviços públicos.
“Criamos o Viver Salvador inicialmente com foco na cultura, para levar arte, promover cultura e fortalecer o sentimento de pertencimento nas comunidades. Quando começamos a atuar nos territórios, percebemos que, além dessas ações, também era necessário levar outros serviços para mais perto da população. A partir daí, passamos a integrar serviços da área social e de outros setores, ampliando o alcance do trabalho”, explicou Ana.
Mãe Ana de Xangô, que está à frente do terreiro, comentou sobre a importância da iniciativa para os moradores do entorno do Ilê Axé Opô Afonjá. Para ela, a oferta de serviços de saúde diretamente no território contribui para ampliar o acesso da população e fortalecer o cuidado com a comunidade.
“Eu me senti muito lisonjeada e honrada por receber este evento aqui, que atendeu não apenas os filhos de santo da casa, mas também os moradores do bairro de São Gonçalo e de outras regiões, como o Cabula. É um atendimento para todos, e isso faz com que, cada vez mais, a gente possa promover qualidade de vida, não apenas para a comunidade do terreiro, mas para toda a sociedade”, disse.
Reconhecimento – A secretária municipal da Reparação (Semur), Isaura Genoveva, falou sobre a importância de aproximar os serviços da Prefeitura das comunidades de matriz africana. Segundo ela, a iniciativa busca reconhecer os terreiros como espaços de acolhimento, resistência e cuidado, levando atendimento não apenas aos religiosos, mas também aos moradores do entorno.
“Entendemos que era importante levar essa iniciativa para esses espaços, que são verdadeiros quilombos urbanos, como os terreiros de candomblé, que têm um olhar diferenciado de acolhimento, não apenas para as pessoas, mas também para todo o seu núcleo familiar. Então, a gente leva esses serviços para a comunidade, atende o povo da casa religiosa e também todo o entorno. Aqui, temos ainda uma escola municipal, que é a primeira escola municipal em um terreiro, o que reforça o compromisso da Prefeitura com esses serviços”, disse.
Segundo a secretária, a próxima edição está prevista para acontecer no Terreiro Umbanda Paz e Justiça, em Cosme de Farias, com a oferta de serviços de saúde e outras ações. “É uma oportunidade para ouvir as necessidades de cada terreiro e identificar como podemos aproximar essas demandas da Prefeitura e buscar soluções em conjunto”, completou.
Texto: Nilson Marinho e Priscila Machado / Secom PMS
A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Reparação — SEMUR, lança o Edital Prêmio Wanda Chase 001/2026, uma premiação inédita que reconhece formalmente a trajetória histórica das entidades carnavalescas de matriz africana da cidade. Ao todo, 250 grupos receberão R$ 10.000,00 cada, totalizando R$ 2,5 milhões em investimento direto nas comunidades negras de Salvador.
O prêmio contempla sete segmentos: Afoxés, Blocos Afro, Blocos de Reggae, Blocos de Samba, Blocos de Capoeira, Blocos de Hip Hop e Blocos de Índio. Podem se inscrever entidades com sede ou atuação em Salvador, com no mínimo três anos de fundação e participação comprovada em pelo menos duas edições do Carnaval de Salvador.
Como se inscrever
As inscrições estão abertas de 15 de setembro a 19 de novembro de 2026, pelo formulário disponível nesta página. O resultado final será publicado em dezembro de 2026 e o pagamento realizado em janeiro de 2027, antes do Carnaval.
O prêmio presta homenagem a Wanda Chase, jornalista e uma das personalidades associadas à história do Carnaval de Salvador e à valorização da cultura negra na Bahia. A escolha do nome reconhece sua trajetória e sua contribuição para a visibilidade das manifestações culturais e da população negra na cidade.
Formulário de Inscrição
Marque seu horário de agendamento presencial:
Segunda à sexta das 10hs às 16hs
Contatos para atendimento e dúvidas:
premiowandachase@salvador.ba.gov.br
Telefone: (71) 3202-2651 | (71) 99716-0732
A Prefeitura de Salvador lançou nesta segunda-feira (14) o edital Prêmio Wanda Chase, iniciativa voltada ao reconhecimento da trajetória cultural e da contribuição sociocultural de instituições que atuam na preservação e valorização de expressões culturais negras e populares na cidade. Ao todo, 250 entidades serão contempladas com R$ 10 mil cada, totalizando R$ 2,5 milhões em investimento.
O anúncio foi feito pelo prefeito Bruno Reis e pela secretária municipal da Reparação (Semur), Isaura Genoveva, na sede da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), no Comércio. As inscrições para os interessados em obter o recurso começam nesta terça-feira (15) e seguem até 19 de novembro, conforme as regras estabelecidas no edital, disponível no site da Semur.
De acordo com o prefeito, o Prêmio Wanda Chase é uma iniciativa de reparação étnico-racial concebida para reconhecer a trajetória de grupos que contribuem para a preservação de saberes, tradições, identidades e expressões culturais que integram a história de Salvador.
“Essa grande premiação irá valorizar e apoiar diversos blocos que desfilam no Carnaval de Salvador e que levam a nossa beleza negra para os circuitos na maior festa de rua de todo o planeta. A partir de amanhã, as instituições que se apresentam na folia poderão se credenciar. Tudo isso ocorre de forma democrática e se soma a outros investimentos que a Prefeitura concede, seja disponibilizando trio e minitrio, seja com a contratação de atrações e patrocínios”, explicou o prefeito.
A premiação também considera a atuação das entidades na valorização da cultura afro-brasileira e no enfrentamento ao racismo. Podem participar afoxés, blocos afro, blocos de reggae, blocos de samba, blocos indígenas, grupos de capoeira e coletivos de hip hop com sede ou atuação em Salvador, desde que atendam aos critérios previstos no edital, entre eles ter, no mínimo, cinco anos de fundação e comprovar participação em pelo menos duas edições do Carnaval soteropolitano.
A seleção levará em consideração aspectos como perfil e trajetória da entidade, atuação no combate à discriminação racial, relevância para a promoção das expressões culturais afro-brasileiras, tempo de existência e participação em desfiles.
O edital também estabelece pontuação adicional para entidades que apresentem maior representação de mulheres, jovens, pessoas com deficiência, pessoas LGBTQIAPN+ e quilombolas em seus corpos diretivos. A pontuação incentivada pode chegar a dez pontos, conforme os critérios estabelecidos no edital, sem caracterizar reserva de vagas.
Segundo Isaura Genoveva, a premiação busca transformar em política permanente uma iniciativa que já vinha sendo desenvolvida pela Prefeitura para apoiar manifestações culturais negras e populares.
“Já vínhamos apoiando os blocos de matriz africana e indígenas ao longo dos anos. Mas, pensamos em estruturar essa política pública para ser algo permanente, independentemente da gestão. Para isso, alteramos o Estatuto da Igualdade Racial, criando um artigo novo, fazendo uma reparação por meio da cultura de Salvador, da cultura preta”, pontuou a gestora.
Para representantes de entidades carnavalescas, o edital também permite que os grupos tenham mais tempo para organizar suas atividades de preparação para o Carnaval. É o que avalia Alberto Lázaro, conhecido como Betão, representante da Associação do Coletivo de Entidades Carnavalescas de Matriz Africana e do Bloco Sambetão.
“Vamos conseguir nos planejar com mais antecedência para o folia. Eu tenho 57 anos de festa, desfilando nos circuitos Batatinha e no Osmar, além de um trabalho centralizado na região da Cidade Baixa, no Uruguai, Roma, Mares e na Ribeira. No meu entendimento, essa é uma política pública acertadíssima da Prefeitura”, celebrou.
Homenagem – O prêmio presta homenagem a Wanda Chase (1950-2025), jornalista amazonense que construiu carreira na Bahia e que foi uma das personalidades associadas à história do Carnaval de Salvador e à valorização da cultura negra no estado.
O prefeito Bruno Reis destacou o legado da profissional e a proximidade dela com os movimentos negros e blocos afro de Salvador. “Wanda era uma jornalista que cobria a área da cultura, sempre com muita emoção, sempre na defesa dos movimentos afro da nossa cidade, levando isso para o Brasil e para o mundo. Sem sombra de dúvidas, ela deixou uma contribuição significativa para todos que militam no movimento negro em Salvador”, afirmou.
Presente na cerimônia de lançamento do edital, Thelma Chase ressaltou a relação afetiva da irmã com o estado. “Eu estou extremamente emocionada. Viva a Wanda, que amou Deus, a família, a Bahia e os baianos. Viva a Bahia, que respeita e mantém viva a história, a construção e o legado deixados por ela. A nossa família agradece o respeito de todos”, declarou.
Texto: Gilvan Santos e Thiago Souza / Secom PMS
A VII Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador, promovida pela Prefeitura e que reúne especialistas e estudantes para discutir as questões que envolvem o acervo material e imaterial da cidade, começou nesta quinta-feira (20). Serão três dias de debates, reflexões, vivências e manifestações culturais.
Com o tema “Patrimonializar para quê e para quem?”, o evento é realizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), através da Fundação Gregório de Mattos (FGM).
A vice-presidente da FGM, Silvia Russo, contou que a discussão é estratégica para o desenvolvimento da Cultura. “Discutir o patrimônio é discutir a nossa história e para onde devemos ir, porque quem não vê seu passado não faz um bom futuro. Estamos felizes e gratos pela VII Jornada e pelos apoios, e que a gente encontre caminhos para valorizar cada vez mais o nosso patrimônio histórico”, afirmou.
A palestra de abertura foi sobre a “Superação do pensamento eurocêntrico no campo do patrimônio cultural”, ministrada pela antropóloga e vice-reitora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Jamile Borges. Nesse primeiro dia, o encontro está sendo realizado no Terreiro Casa Branca, na Avenida Vasco da Gama.
A ialorixá Neuza Cruz recebeu os convidados. “Para a nossa casa é um orgulho muito grande por também fazer parte desse contexto, sendo o primeiro terreiro de candomblé tombado do país. Sediar essa jornada tem uma importância muito grande para a gente. Estamos muito felizes em fazer parte dessa integração”, disse.
Às 14h, a palestra será sobre a “Preservação do Patrimônio Cultural: políticas, práticas e sustentabilidade”, com o antropólogo Ordep Serra (Terreiro Casa Branca); o coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Ministério Público (Nudephac/ MPBA), promotor Alan Cedraz; e a arquiteta e pesquisadora da Ufba, Joseane Oliveira. A mediação será da secretária da Reparação (Semur), Isaura Genoveva.
Evento – A Jornada do Patrimônio Cultural tem três eixos principais: a preservação do patrimônio cultural, com foco em políticas, práticas e sustentabilidade; o fomento ao patrimônio cultural, discutindo estratégias de preservação, valorização e desenvolvimento; e a educação patrimonial, destacando o papel dos mestres e mestras da cultura popular na transmissão de saberes, fazeres e memórias às novas gerações.
Nos próximos dias serão discutidas estratégias, políticas públicas e formas de conhecimentos, além da realização de visitas guiadas.
A gerente de Patrimônio da FGM, Roberta Ventura, contou que o evento é um estímulo ao debate.
“É uma provocação e um convite ao diálogo para a gente entender que histórias devem ser contadas, por quem devem ser contadas, quais memórias devem ser guardadas e quais ainda não foram escutadas. E o Casa Branca é um exemplo dessa mudança de pensamento, o primeiro terreiro tombado do Brasil, um local rico de saberes”, disse.
A cerimônia de abertura reuniu representantes de diversos órgãos e entidades. O superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Guanais, destacou a importância da preservação da memória, cobrou ações conjuntas de cuidado com a História e citou exemplos de nomes ainda pouco lembrados.
“Aproveitamos a Jornada do Patrimônio para discutir questões como a trajetória do pensamento de Edson Carneiro no Brasil, um baiano que foi um intelectual do Patrimônio e que é tão importante quanto tantos outros, mas de quem pouco se fala e de quem pouco se lembra. Foi ele, por exemplo, que organizou o 2º Congresso Nacional Afro-Brasileiro, em 1937”, contou.
Em Salvador, o projeto “Patrimônio É…”, da FGM, realiza rodas de conversa mensais sobre o patrimônio cultural de forma itinerante. A fundação também tem uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Smed) para visitas guiadas com os estudantes. Os roteiros têm o objetivo de apresentar o acervo da cidade aos jovens e proporcionar uma experiência de conhecimento e valorização da história e da cultura.
Confira a programação dos próximos dias:
DIA 2: 21 | FUNDAÇÃO CASA DE JORGE AMADO
9h às 10h: Recepção / Credenciamento
10h às 12h: Mesa 2: Patrimônio Cultural e Fomento: estratégias para preservação, valorização e desenvolvimento. Palestrantes: Paloma Amado (escritora), Aislane Nobre (doutoranda em Artes Visuais) e Silvana Moura (roteirista e diretora audiovisual)
12h às 14h: Intervalo para almoço
14h às 15h: Visita guiada à Fundação Casa de Jorge Amado
15h30 às 17h: Exibição do documentário Alápini, a herança ancestral de Mestre Didi, seguida de bate-papo com Silvana Moura, diretora do documentário
17h às 18h: Homenagem aos professores José Dirson Argolo e Mário Mendonça
Encerramento
DIA 3: 22 | CASA DAS HISTÓRIAS DE SALVADOR
9h às 9h30: Recepção
9h30 às 10h: Premiação dos Mestres contemplados no Edital Culturas Populares: Festas e Mestres
10h às 12h: Mesa 3 / Roda de conversa: Guardiões dos Saberes: o papel dos mestres e mestras das culturas populares na educação patrimonial. Mediador: Chicco Assis (Secult Salvador)
12h às 14h: Intervalo para almoço
14h às 17h: Aula sobre o patrimônio cultural de Salvador a bordo de uma escuna. Ministrante: prof. Bira Carlúcio
Encerramento
Texto: Gilvan Santos/ Secom PMS