A VII Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador, promovida pela Prefeitura e que reúne especialistas e estudantes para discutir as questões que envolvem o acervo material e imaterial da cidade, começou nesta quinta-feira (20). Serão três dias de debates, reflexões, vivências e manifestações culturais.
Com o tema “Patrimonializar para quê e para quem?”, o evento é realizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), através da Fundação Gregório de Mattos (FGM).
A vice-presidente da FGM, Silvia Russo, contou que a discussão é estratégica para o desenvolvimento da Cultura. “Discutir o patrimônio é discutir a nossa história e para onde devemos ir, porque quem não vê seu passado não faz um bom futuro. Estamos felizes e gratos pela VII Jornada e pelos apoios, e que a gente encontre caminhos para valorizar cada vez mais o nosso patrimônio histórico”, afirmou.
A palestra de abertura foi sobre a “Superação do pensamento eurocêntrico no campo do patrimônio cultural”, ministrada pela antropóloga e vice-reitora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Jamile Borges. Nesse primeiro dia, o encontro está sendo realizado no Terreiro Casa Branca, na Avenida Vasco da Gama.
A ialorixá Neuza Cruz recebeu os convidados. “Para a nossa casa é um orgulho muito grande por também fazer parte desse contexto, sendo o primeiro terreiro de candomblé tombado do país. Sediar essa jornada tem uma importância muito grande para a gente. Estamos muito felizes em fazer parte dessa integração”, disse.
Às 14h, a palestra será sobre a “Preservação do Patrimônio Cultural: políticas, práticas e sustentabilidade”, com o antropólogo Ordep Serra (Terreiro Casa Branca); o coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Ministério Público (Nudephac/ MPBA), promotor Alan Cedraz; e a arquiteta e pesquisadora da Ufba, Joseane Oliveira. A mediação será da secretária da Reparação (Semur), Isaura Genoveva.
Evento – A Jornada do Patrimônio Cultural tem três eixos principais: a preservação do patrimônio cultural, com foco em políticas, práticas e sustentabilidade; o fomento ao patrimônio cultural, discutindo estratégias de preservação, valorização e desenvolvimento; e a educação patrimonial, destacando o papel dos mestres e mestras da cultura popular na transmissão de saberes, fazeres e memórias às novas gerações.
Nos próximos dias serão discutidas estratégias, políticas públicas e formas de conhecimentos, além da realização de visitas guiadas.
A gerente de Patrimônio da FGM, Roberta Ventura, contou que o evento é um estímulo ao debate.
“É uma provocação e um convite ao diálogo para a gente entender que histórias devem ser contadas, por quem devem ser contadas, quais memórias devem ser guardadas e quais ainda não foram escutadas. E o Casa Branca é um exemplo dessa mudança de pensamento, o primeiro terreiro tombado do Brasil, um local rico de saberes”, disse.
A cerimônia de abertura reuniu representantes de diversos órgãos e entidades. O superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Guanais, destacou a importância da preservação da memória, cobrou ações conjuntas de cuidado com a História e citou exemplos de nomes ainda pouco lembrados.
“Aproveitamos a Jornada do Patrimônio para discutir questões como a trajetória do pensamento de Edson Carneiro no Brasil, um baiano que foi um intelectual do Patrimônio e que é tão importante quanto tantos outros, mas de quem pouco se fala e de quem pouco se lembra. Foi ele, por exemplo, que organizou o 2º Congresso Nacional Afro-Brasileiro, em 1937”, contou.
Em Salvador, o projeto “Patrimônio É…”, da FGM, realiza rodas de conversa mensais sobre o patrimônio cultural de forma itinerante. A fundação também tem uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Smed) para visitas guiadas com os estudantes. Os roteiros têm o objetivo de apresentar o acervo da cidade aos jovens e proporcionar uma experiência de conhecimento e valorização da história e da cultura.
Confira a programação dos próximos dias:
DIA 2: 21 | FUNDAÇÃO CASA DE JORGE AMADO
9h às 10h: Recepção / Credenciamento
10h às 12h: Mesa 2: Patrimônio Cultural e Fomento: estratégias para preservação, valorização e desenvolvimento. Palestrantes: Paloma Amado (escritora), Aislane Nobre (doutoranda em Artes Visuais) e Silvana Moura (roteirista e diretora audiovisual)
12h às 14h: Intervalo para almoço
14h às 15h: Visita guiada à Fundação Casa de Jorge Amado
15h30 às 17h: Exibição do documentário Alápini, a herança ancestral de Mestre Didi, seguida de bate-papo com Silvana Moura, diretora do documentário
17h às 18h: Homenagem aos professores José Dirson Argolo e Mário Mendonça
Encerramento
DIA 3: 22 | CASA DAS HISTÓRIAS DE SALVADOR
9h às 9h30: Recepção
9h30 às 10h: Premiação dos Mestres contemplados no Edital Culturas Populares: Festas e Mestres
10h às 12h: Mesa 3 / Roda de conversa: Guardiões dos Saberes: o papel dos mestres e mestras das culturas populares na educação patrimonial. Mediador: Chicco Assis (Secult Salvador)
12h às 14h: Intervalo para almoço
14h às 17h: Aula sobre o patrimônio cultural de Salvador a bordo de uma escuna. Ministrante: prof. Bira Carlúcio
Encerramento
Texto: Gilvan Santos/ Secom PMS
Após ultrapassar 18 mil atendimentos, o Viver Salvador nos Bairros chega à 10ª edição neste sábado (1º). A ação será realizada das 8h às 13h, na Praça Manoel Busquet, em São João do Cabrito, no Subúrbio Ferroviário, reunindo diversos serviços gratuitos de saúde, assistência social, cidadania, empregabilidade, cultura, lazer e bem-estar em um único espaço.
Idealizado pela vice-prefeita Ana Paula Matos, o projeto tem percorrido diferentes comunidades da capital, aproximando a Prefeitura da população e facilitando o acesso aos serviços públicos. Nesta edição, a iniciativa integra a programação do movimento Mulheres Negras em Movimento, reforçando o compromisso da gestão municipal com a valorização das mulheres, o fortalecimento do empreendedorismo feminino e a ampliação do acesso às políticas públicas nos territórios.
Ao longo das nove primeiras edições, o projeto já soma 18.459 atendimentos, consolidando-se como uma importante estratégia de descentralização dos serviços municipais.
Antes da realização da ação, a região recebeu uma série de melhorias executadas pela Prefeitura. Equipes de zeladoria realizaram serviços de limpeza, capinação, poda de árvores, manutenção da iluminação pública, pintura, recuperação de equipamentos urbanos e outros reparos, preparando o espaço para receber os moradores e deixando benefícios permanentes para a comunidade.
Durante a ação, a população terá acesso à emissão da segunda via do Cartão SUS, consultas médicas, vacinação, atendimento odontológico, vacinação animal, terapias integrativas e complementares, além de serviços do Cadastro Único (CadÚnico), Serviço Municipal de Intermediação de Mão de Obra (Simm), emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), orientações dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), inscrições no Minha Casa, Minha Vida, atendimento do Escritório Público, SAC do Empreendedor, Defesa Civil de Salvador (Codesal), Neoenergia Coelba e orientações sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), entre outros.
A programação contará ainda com atividades culturais e esportivas, apresentações de artistas locais, oficinas, recreação infantil, circuito de bicicletas e serviços de beleza e bem-estar, como esmaltação, design de sobrancelhas, tranças e massoterapia.
Realizado pelo quinto ano consecutivo, o evento Mulheres Negras Movem o Mundo, promovido pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), homenageou, nesta sexta-feira (31), 50 servidoras de destaque na gestão municipal, na esteira das comemorações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, lembrado no último dia 25 de julho. A celebração aconteceu no Hotel Mercure, no Rio Vermelho, e contou com a presença do prefeito Bruno Reis, da vice-prefeita Ana Paula Matos, da secretária de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), Fernanda Lordêlo, e da titular da Semur, Isaura Genoveva, além de outras autoridades municipais.
O prefeito Bruno Reis destacou a importância do reconhecimento da vida e do trabalho das servidoras negras da Prefeitura. “Apesar das dificuldades, angústias e aflições do serviço público, tudo o que enfrentamos, no fim, vale a pena. Neste período à frente da Prefeitura, uma de nossas prioridades foi construir políticas públicas e iniciativas para promover a igualdade racial, combater o racismo e colocar em prática políticas de reparação”, disse.
“Políticas que possam fortalecer a população negra, em especial as mulheres, são prioridades da nossa gestão. Uma homenagem como essa tem um simbolismo enorme. É reconhecer o trabalho dessas mulheres e estimular para que façam ainda mais a diferença. E, por mais que exista no serviço público uma hierarquia, todos trabalham em conjunto. E se não fosse pelo trabalho dessas 50 mulheres, e de tantas outras que dedicam seu suor e trabalho, não teríamos uma gestão de sucesso”, completou o chefe do Executivo Municipal.
A secretária Isaura Genoveva ressaltou a importância de celebrar as mulheres negras que movem as ações também na gestão municipal. “Chegar à quinta edição deste evento é motivo de imensa alegria. É um reconhecimento, tanto do público externo quanto da gestão, que demonstra um olhar significativo sobre este importante trabalho realizado aqui. Ninguém constrói nada sozinho, e todos aqui estamos trabalhando por uma Salvador ainda melhor. Trabalhar com reparação é algo que exige dedicação diuturna, e fazer um evento com essa qualidade, também é reconhecer a trajetória dessas mulheres”, afirmou.
A vice-prefeita Ana Paula Matos destacou o Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI), uma das principais ações municipais para construir uma cidade antirracista. “Eu acredito numa gestão com políticas públicas antirracistas, acessíveis e construídas por e para pessoas que são a cara dessa cidade. Mulheres negras que, muitas vezes, são mães solo, chefes de famílias. Mães, avós, amigas, madrinhas, tias e primas de uma comunidade que, por diversas vezes, se protegem em rede. E que tem o direito e condições de ganhar seu dinheiro e sustentar suas famílias, com acesso a políticas públicas inclusivas, acesso a microcrédito, oportunidades de trabalho, emprego e renda prioritariamente para mulheres negras. Isso é reparação”, disse.
Oilda Rejane, diretora de Promoção da Igualdade Étnico-Racial e coordenadora do Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI), afirmou que, desde 2022, mais de 160 servidoras negras da Prefeitura já foram homenageadas pelo programa. “Elas foram indicadas pelos diversos órgãos da administração municipal. O principal objetivo dessa homenagem é referenciar e reverenciar as mulheres negras que movem o mundo a partir de sua atuação na Prefeitura de Salvador”, comentou.
Segundo Oilda, a homenagem se faz bastante importante por conta da necessidade de reconhecer trajetórias que, por algum tempo, foram tornadas invisíveis. “É preciso salientar que as mulheres negras movem nossa cidade e precisam ter suas trajetórias reconhecidas. Toda mulher negra que move o mundo já foi uma menina negra, que precisou sonhar e que ousou desafiar todas as estruturas. Então, é preciso entender Salvador como essa cidade negra e feminina. Por isso, não se trata apenas de uma homenagem, mas de uma iniciativa de reconhecimento dessas trajetórias. Porque reconhecer também é reparar”, completou.
Homenagens – A homenagem da Prefeitura é fruto da parceria da Semur com a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), e se integra ao Circuito Mulheres Negras em Movimento e ao PCRI, que trabalha junto aos servidores públicos para o combate ao racismo institucional, mobilizando, em rede, todos os órgãos da Prefeitura, auxiliando no fortalecimento deste trabalho e das estratégias para combater o racismo.
A servidora Georgina Pedreira foi uma das convidadas a receber a homenagem diretamente das mãos do prefeito Bruno Reis. A profissional, de 70 anos, dedicou os últimos 43 anos como parte da Superintendência de Obras Públicas do Salvador (Sucop). “Foi uma felicidade ser escolhida para receber esta homenagem, ter meu trabalho reconhecido. Nestes anos todos, sempre busquei fazer com que todos fossem reconhecidos pelos seus esforços. E hoje tenho meu trabalho reconhecido. Me sinto lisonjeada”, comentou.
Lotada na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), a servidora Marlene Fonseca, com 46 anos de Prefeitura, também agradeceu a homenagem. “É um momento de grande felicidade receber este reconhecimento. Fiquei surpresa com a lembrança, pois sempre participo desta celebração, e hoje estou aqui como parte das comemorações”, disse.
Djara Mahim, subcoordenadora de Cuidados Transversais em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), também foi homenageada, e destacou a importância do combate ao racismo institucional na prática. “É uma honra este reconhecimento como mulher negra e representante de uma classe. E ter mulheres negras nestes papéis de liderança é de grande importância para todas nós. Principalmente na área de saúde, onde ainda há muito racismo, e isso se torna uma luta pessoal e profissional. Essa missão traz ainda mais reconhecimento, orgulho e responsabilidade ao longo do processo”, afirmou Djara.
Titular da. SPMJ, Fernanda Lordelo destacou a importância da manutenção do trabalho de reparação histórica realizado pela Semur. “É de grande importância manter e reforçar essa política pública em nossa cidade. Salvador é uma cidade feminina, com 54,4% da população composta por mulheres. E também somos uma cidade de maioria negra, somando mais de 80% da população – bem como somamos 72% da população mais carente e cujas famílias são lideradas por mulheres. As mulheres negras movem esta cidade. Nosso trabalho é fazer com que nossas crianças tenham uma vida naturalmente potente, sem precisar se esforçar para ocupar os espaços, nem de validação para ser o que elas têm que ser. E essa transformação não é fácil, mas é possível”, disse.
Reportagem: Ana Virgínia Vilalva e Eduardo Santos / Secom PMS
Representantes de terreiros de candomblé, centros de umbanda e demais religiões de matriz africana em Salvador devem realizar o cadastro no Programa Baobá, iniciativa da Secretaria Municipal da Reparação (Semur) que busca reunir, em uma única plataforma, informações sobre essas instituições religiosas e integrar o acesso às políticas públicas municipais voltadas a esse segmento. Além de atualizar os dados relacionados aos templos existentes na capital baiana, a Semur pretende tornar mais ágil, por meio da plataforma, o encaminhamento de demandas aos diversos órgãos da Prefeitura.
A proposta é que o programa funcione como um ponto central de atendimento às comunidades de terreiro. Com isso, solicitações relacionadas a serviços e benefícios municipais poderão ser acompanhadas pela Semur, responsável por articular o diálogo com as demais secretarias, reduzindo etapas burocráticas e dando maior celeridade aos processos.
O cadastro pode ser feito por meio do endereço terreiros.salvador.ba.gov.br/
A secretária municipal da Reparação, Isaura Genoveva, explica que o Baobá fortalece uma série de ações que já são desenvolvidas pelo Município, mas que, até então, aconteciam de forma descentralizada. “O Programa Baobá surge para fortalecer o que a Prefeitura já desenvolve. Existe uma série de ações destinadas aos povos e comunidades tradicionais executadas de forma independente por diferentes secretarias. O programa unifica essas ações e possibilita o fortalecimento das políticas públicas voltadas para esse segmento, tendo a Semur como ponto focal para dialogar diretamente com os órgãos municipais, reduzindo burocracia e garantindo mais efetividade e eficiência”, afirma.
Segundo a gestora, a plataforma permitirá à Prefeitura conhecer de forma mais precisa a realidade das comunidades de terreiro em Salvador, identificando tanto o número de instituições quanto as principais demandas apresentadas por elas. “Nós precisamos ter um diagnóstico situacional desses templos para implementar políticas públicas com maior efetividade. A partir da plataforma Baobá, conseguiremos unificar os dados e melhorar o fluxo de encaminhamento das demandas, garantindo uma entrega mais eficiente dos serviços municipais”, destaca.
Atualização cadastral – Atualmente, a base de dados da Semur reúne 1.174 terreiros cadastrados. Com o Programa Baobá, esse levantamento está sendo atualizado para refletir possíveis mudanças nas lideranças religiosas e demais alterações ocorridas ao longo dos anos. A expectativa é ultrapassar a marca de 2 mil terreiros cadastrados em Salvador a partir da iniciativa, dedicada ao registro, mapeamento e gestão das informações sobre os templos de religiões de matriz africana na capital baiana.
Além do cadastramento espontâneo, equipes da Semur realizam visitas às comunidades para auxiliar as lideranças no preenchimento das informações, inclusive com a utilização de tablets, ajudando pessoas mais idosas que não tenham experiência com a tecnologia. “Esse trabalho nos aproxima dessas comunidades, que fazem parte da identidade de Salvador e preservam uma herança ancestral fundamental para a cidade”, ressalta a secretária.
Benefícios – O cadastro permitirá identificar as necessidades específicas de cada instituição religiosa e facilitar o acesso a serviços municipais, como processos de isenção tributária, regularização fundiária e emissão do Termo de Viabilidade de Localização (TVL), além de programas como o Casa Odara, que promove reformas e melhorias nos templos de religiões de matriz afro-brasileira, entre outras políticas públicas destinadas aos povos e comunidades de terreiro.
Texto: Priscila Machado / Secom PMS
Nesta sexta-feira (17), a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult) e da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), promoveu o evento Mulheres Negras em Movimento, em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho. A iniciativa homenageou servidoras municipais e destacou suas contribuições para a transformação do serviço público.
A cerimônia foi realizada no Auditório Orlando Moscozo, na sede da Secretaria Municipal de Gestão (Semge), nos Aflitos, e reuniu ações de diversas secretarias municipais voltadas à valorização, ao reconhecimento e ao protagonismo das mulheres negras. Ao final da cerimônia, o público pôde visitar uma exposição fotográfica e conhecer, por meio de breves relatos, as histórias das homenageadas.
Durante a programação, a Semge prestou homenagem a 20 servidoras que atuam em diferentes órgãos e autarquias da Prefeitura de Salvador. As homenageadas foram reconhecidas por suas trajetórias e pelos legados construídos em áreas como ciência, educação, cultura, empreendedorismo, literatura e direitos humanos.
A secretária da Semur, Isaura Genoveva, destacou que o reconhecimento promovido pela gestão municipal reforça o compromisso com a valorização das mulheres negras. “Essa homenagem demonstra respeito à nossa diversidade cultural e ao que significa ser uma mulher preta na cidade mais negra fora da África”, afirmou.
Uma das homenageadas, a procuradora do Município de Salvador, Lilia Azevedo, que atua há 15 anos na instituição, ressaltou a importância de dar visibilidade à presença das mulheres negras e ao papel que desempenham como mães, gestoras e servidoras públicas. “Entendemos que as políticas públicas que estruturam a nossa cidade têm a cor negra, têm a cor preta”, pontuou.
Segundo Lilia, toda a história brasileira passa pela história da população negra, mas essas trajetórias permaneceram invisibilizadas por muito tempo, inclusive no serviço público. Ela contou que sua trajetória foi marcada pelo esforço da família e que, ao ser aprovada no concurso da Procuradoria do Município, tornou-se uma das primeiras mulheres negras a integrar aquele quadro de servidores.
Moradora do bairro do Cabula e oriunda de uma comunidade periférica, Lilia disse ter recebido a homenagem com alegria, mas também com senso de responsabilidade. “Pediram que, além de uma foto, cada homenageada enviasse uma palavra que representasse sua trajetória. Eu escolhi ‘propósito’, porque foi isso que moveu a minha história”, contou.
A subsecretária da Semge, Rafaella Pondé, afirmou que a iniciativa busca dar visibilidade às servidoras homenageadas e reconhecer suas contribuições para a cidade. “O objetivo é mostrar o quanto essas mulheres são importantes para Salvador e para o serviço público. Essa parceria entre as secretarias fortalece ações de valorização das mulheres negras e reforça um propósito comum”, afirmou.
Texto: Fabiane Humildes e Nilson Marinho / Secom PMS
A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), promoveu, nesta quinta-feira (18), a cerimônia de outorga do Selo da Diversidade Étnico-Racial. A iniciativa busca reconhecer ações de promoção da equidade racial desenvolvidas por organizações públicas, privadas e da sociedade civil, especialmente nas áreas de gestão de pessoas e marketing.
Concedido anualmente, o Selo da Diversidade Étnico-Racial integra uma política pública voltada à promoção da igualdade racial. Além de reconhecer boas práticas, a iniciativa incentiva as instituições a valorizarem a diversidade étnico-racial como fator de inovaç ão, desenvolvimento e transformação social.
A secretária da Semur, Isaura Genoveva Neta, destacou a importância do compromisso coletivo no enfrentamento ao racismo. “A gente sabe que o racismo é uma doença, que o racismo é uma marca muito negativa da praça de escravização, só que a gente só consegue combater esse sistema se a gente tem ações práticas efetivas todo dia”, pontuou.
O presidente do Conselho das Comunidades Negras, Evilásio Bouças, ressaltou que o selo amplia a representatividade da população negra, especialmente no setor privado. “A iniciativa estimula que empresas tenham um olhar especial para homens e mulheres negras, que têm a sua formação, sua força de trabalho utilizada, mas que, na maioria das vezes, não estão nos lugares de destaque”, afirmou.
O programa existe desde 2007 e contempla duas modalidades de premiação. A primeira é o Prêmio Compromisso, destinado a organizações públicas, privadas e da sociedade civil de Salvador que aderem ao Pacto de Valorização da Diversidade Étnico-Racial e assumem o compromisso de cumprir diretrizes voltadas à promoção da igualdade racial.
A segunda modalidade é o Prêmio de Reconhecimento, concedido pelo Comitê Gestor a micro e pequenas empresas cujos proprietários e/ou administradores sejam negros e que possuam, no mínimo, cinco funcionários, sendo a maioria deles negros. Entidades sem fins lucrativos que atuam na valorização da diversidade também podem receber a certificação.
Representando a Faculdade Visconde de Cairu, a professora do curso de Pedagogia, Marialda Pinho, destacou a importância da diversidade nos espaços educacionais.“Onde haja pessoas com cores, raças, pensamentos e sexos diferentes, nós precisamos ter a diversidade. E essa diversidade pontuada com o selo favorece muito mais”, relatou.
Combate ao racismo – Ao receber a certificação, as instituições assumem o compromisso de promover ações de combate ao racismo em seus ambientes de trabalho, fortalecendo políticas institucionais voltadas à valorização da cultura afro-brasileira e à promoção da igualdade racial. Para manter o selo, as organizações contempladas precisam cumprir o plano de trabalho apresentado durante o processo de inscrição. Ao final do período estabelecido, a Prefeitura avalia o desempenho das instituições para definir a continuidade da certificação.
A analista de Recursos Humanos da Faculdade Visconde de Cairu, Junaíra Leite, ressaltou que o selo representa mais do que um reconhecimento formal. “O selo não é apenas uma peça. A certificação oficializa que a inclusão, a participação e a visibilidade das pessoas realmente acontecem dentro da instituição. Não é somente para constar na parede”, destacou.
Texto: Fabiane Humildes e Marco Pitangueira / Secom PMS
