Ícone mundial na luta pela igualdade racial, Nelson Mandela faleceu nesta quinta-feira (dia 05), aos 95 anos, ao lado de seus familiares, em Pretória. A saúde do ex-presidente da África do Sul já estava debilitada e Madiba, como era carinhosamente chamado, foi um dos principais responsáveis pelo fim do regime racista vigente entre 1948 a 1993 chamado do apartheid.
Em sua rápida visita a Salvador, em 1991, Mandela foi recepcionado pelo então governador Antônio Carlos Magalhães e recebeu a Medalha Libertadores da Humanidade e o título de Cidadão Benemérito de Salvador.
O presidente sul-africano, Jacob Zuma, disse ontem, “Nosso amado Madiba terá um funeral de Estado. Dei ordem para que todas as bandeiras da República da África do Sul sejam hasteadas a meio-pau e que continuem a meio-pau até depois do funeral.”
Em nota oficial, a presidente da República Dilma Rousseff, afirmou: “O governo e o povo brasileiros receberam consternados a notícia da morte de Nelson Mandela. Personalidade maior do século 20, Mandela conduziu com paixão e inteligência um dos mais importantes processos de emancipação do ser humano da história contemporânea – o fim do apartheid na África do Sul. Seu combate transformou-se em um paradigma, não só para o continente africano, como para todos aqueles que lutam pela justiça, pela liberdade e pela igualdade. O governo e o povo brasileiros se inclinam diante da memória de Nelson Mandela e transmitem a seus familiares, ao presidente Zuma e aos sul-africanos nosso sentimento de profundo pesar. O exemplo deste grande líder guiará todos aqueles que lutam pela justiça social e pela paz no mundo”.
Imprensa do mundo inteiro deram grande destaque à morte do paladino defensor dos direitos humanos. Na Grã-Bretanha os jornais The Guardian, The Daily Telegraph e The Independent dedicaram capas inteiras ao ex-líder sul-africano. A edição final do tabloide britânico The Sun inclui doze páginas de tributo, enquanto o Times conta com um encarte de dezesseis páginas em sua edição.
As bandeiras serão colocadas a meio mastro e um minuto de silêncio será observado na próxima rodada de partidas internacionais, determinou a Fifa, nesta quinta-feira (dia 05). O secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, informou nesta sexta-feira que será feita uma homenagem para Nelson Mandela durante a cerimônia do sorteio da fase de grupos da Copa do Mundo, que será realizado na Costa do Sauipe. (DA REUTERS)
“Eu lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Eu cultivei o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. Este é um ideal pelo qual eu espero viver e alcançar. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer”, afirmou Mandela em seu discurso durante seu julgamento, em 1964, em que foi acusado de sabotagem e traição.

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Nasce em 18 de julho no clã Madiba, no vilarejo de Mvezo. Seu pai, Henry Gadla Mphakanyiswa, era chefe do vilarejo e teve quatro mulheres e 13 filhos
O Partido Nacional ganha as eleições do país e começa a implementar a política de apartheid. No mesmo ano, torna-se secretário nacional da Liga Jovem do CNA
É transferido para a prisão Pollsmoor, no continente, onde fica preso por mais nove anos
Mandela é eleito presidente do CNA. Encabeça uma série de articulações políticas que culminaram nas primeiras eleições democráticas e multirraciais do país
A África do Sul sedia a Copa do Mundo de Rúgbi. Mandela apoia a seleção nacional, composta por atletas brancos, em um dos primeiros passos simbólicos para a reconciliação do país
Em fevereiro, é internado com dores abdominais. Em dezembro, é identificada uma infecção pulmonar, que o deixa 18 dias no hospital. Foram cinco internações em cerca de dois anos. Em 2013, foram duas internações: 28 de março e 8 de junho, ambas por infecção pulmonar
Cursa Artes na Universidade de Fort Hare, onde conhece o amigo Oliver Tambo. Ambos foram expulsos dois anos depois por ativismo político
É absolvido no processo da prisão de 1955 e torna-se líder da guerrilha Umkhonto we Sizwe
Inicia o diálogo sobre sua libertação com o Partido Nacional, que exigia que ele não voltasse à luta armada. Passa por uma cirurgia na próstata e, ao voltar à prisão, fica sozinho em uma cela
Divide com Frederik de Klerk, eleito presidente da África do Sul, o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para trazer a paz ao país
Faz sua última aparição pública, durante a Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul.
Começa a frequentar informalmente reuniões do Congresso Nacional Africano (CNA), grupo multirracial que iria lutar contra o apartheid, o regime de segregação racial
Mandela e outros sete colegas julgados por sabotagem são sentenciados à prisão perpétua. Ele é levado para a Ilha de Robben, onde passa 18 anos preso, usando o número 46664
O Congresso Nacional Africano (CNA) é reinstituído. No dia 11, é solto e, em um evento transmitido mundialmente, diz que continuaria lutando pela igualdade racial no país
É internado com problemas respiratórios, decorrentes de uma tuberculose contraída na prisão.
Fotos: Matt Dunham/AP; AP; Jacquelyn Martin/AP
Fonte: g1.globo.com/mundo/nelson-mandela/infografico