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USP recontará história de Preto Amaral em júri simulado

Conhecido como o primeiro serial killer do país e condenado sem nunca ter sido julgado, Preto Amaral terá sua história recontada em Júri Simulado da Universidade de São Paulo (USP)

 

USP realizará Júri simulado para analisar os supostos crimes de Preto Amaral
O debate sobre a influência do racismo em casos jurídicos estará em pauta nesta quinta-feira (20), a partir das 18h30, na Universidade de São Paulo (USP), que realizará o julgamento póstumo de José Augusto do Amaral, o Preto Amaral. O objetivo é avaliar se os elementos reunidos seriam suficientes para provar os crimes atribuídos ao réu e levá-lo à condenação.

Um time de juristas formado pelo promotor de Justiça Carlos Roberto Marangoni Talarico – criminalista que atuará na acusação -, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e o Defensor Público Renato Campos Pinto de Vitto, que defenderá Preto Amaral, foi reunido para a análise dos fatos. A ideia é que os advogados apresentem argumentos e evidências, para reconstruir o julgamento ao qual o réu não teve direito.

Os responsáveis por interpretar o acusado e a mãe de uma das suas supostas vítimas são atores da Companhia de Teatro Pessoal do Faroeste e as testemunhas serão representadas pela escritora Ilana Casoy e o historiador Paulo Fernando de Souza Campos, autores de trabalhos que relatam a história de Preto Amaral.

Para tomar a decisão final, o Juiz de Direito José Henrique Rodrigues Torres foi convidado pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), pela Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, o Núcleo Especializado de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito da mesma instituição e pela Escola da Defensoria.

Conheça a história

José Augusto do Amaral ou “Preto Amaral” ficou conhecido na história como o primeiro “serial killer” brasileiro, acusado de ter assassinado três jovens com características de sadismo e necrofilia.

Preto Amaral foi escravo até os 17 anos, quando foi alforriado pela Lei Áurea. Liberto, se alistou no exército e serviu em todo o país, inclusive, na Guerra de Canudos. Fora das forças armadas, aos 55 anos, vivendo como andarilho, foi acusado do seu primeiro crime, estrangular um rapaz de 27 anos. Depois desse, foi acusado de supostamente cometer mais dois assassinatos com as mesmas características.

Foi preso – e supostamente, por ter sido torturado pela polícia – confessou todos os crimes. Relatos da época dizem que assassinatos semelhantes continuaram a acontecer durante o tempo em que ficou encarcerado. Preto Amaral faleu cinco meses após ter sido encarcerado e antes de ir a júri.

Apesar de nunca ter sido julgado, o ex-escravo ganhou o título de primeiro serial killer brasileiro e sua história faz parte do museu do crime em São Paulo.

Serviço

Tribunal do Júri: os crimes de Preto Amaral

Dia: 20 de setembro, às 18h30

Local: Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP

Largo São Francisco, nº 95, São Paulo/SP

Entrada franca

Fonte:SEPPIR

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