A situação da população negra foi discutida, durante a manhã desta terça-feira (15), em evento promovido pela Secretaria Municipal da Reparação (Semur) com o apoio da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom), no auditório desta superintendência, no Centro Empresarial Thomé de Souza, no Iguatemi.
A Palestra foi proferida pelo Secretário Municipal da Reparação, Ailton Ferreira, e teve a participação de Carmen Flores, uma das fundadoras do GTI/PCRI em Salvador e que permanece como membro do grupo de trabalho. A ação integra as atividades do Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI), que tem a missão de articular iniciativas de promoção da igualdade racial e sensibilizar os servidores no sentido de reconhecer e combater manifestações de cunho racista. Entre os temas abordados, esteve a adoção de novas práticas de combate à discriminação e ao racismo no serviço público.
De acordo com o secretário da Reparação, Ailton Ferreira, a promoção de discussões desse tipo contribui para a desconstrução da ideia de diferenciação entre negros e brancos. “Temos o dever de desconstruir essa lógica que orientou a construção do Estado Brasileiro e que está enraizada na mente de cada um de nós, em um racismo sutil – que existe, mas não se aponta o sujeito, pois as pessoas já se acostumaram a esse comportamento”, afirmou.
Além disso, foram discutidos itens como a importância de políticas nacionais de saúde integral da população negra, impactos do racismo na saúde mental e também a Lei 12.288/2010, que estabelece o Estatuto da Igualdade Racial. Para Ferreira, as discussões precisam contagiar toda a sociedade. “As questões que envolvem o racismo precisam ser discutidas em busca de avanços, não apenas pelos negros, mas pelo bem de toda uma sociedade, pois o racismo prejudica a negros e brancos, pois se um se sente inferior o outro já se vê como mais importante e, por conta disso, tem dificuldades para aceitar a derrota”, analisou Ferreira.
O Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI) foi implantado na Prefeitura Municipal de Salvador em 2005 por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde (MS), Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). O projeto também conta com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e o Ministério do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DFID), sob a supervisão da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).