Um grande encontro de vozes femininas negras marcou o encerramento do Circuito Mulheres Negras em Movimento, na noite deste domingo (27), na Praça Maria Felipa, no bairro do Comércio. No palco, cinco das maiores artistas da cena musical baiana — Larissa Luz, Luedji Luna, Mariene de Castro, Rachel Reis e Majur — protagonizaram o show “Ancestranças”, exaltando heranças culturais, ancestralidade e resistência.
O espetáculo encerrou com chave de ouro a programação especial promovida pela Prefeitura de Salvador em homenagem ao Dia Municipal da Mulher Negra, ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra e ao Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha.
O público foi recebido com apresentações do Balé Folclórico da Bahia e da Banda Didá, dois importantes símbolos da cultura afro-baiana. Todas as atrações do evento compartilharam em comum o compromisso com o resgate das tradições afro-brasileiras em suas produções artísticas.
Antes de iniciar sua apresentação, Larissa Luz comentou a emoção de tirar o projeto do papel:
“É um projeto que eu penso há muito tempo, de falar sobre o mês das mulheres negras com foco na nossa cultura, na nossa história, na nossa ancestralidade. Estou muito feliz de poder juntar tantas mulheres negras potentes no mesmo espaço para falar desses ícones, dos símbolos que constroem a história dessa cidade. Estou muito feliz”, disse a artista, que abriu o show com os sucessos Descolonizada e Paz Terrível.
Na sequência, Luedji Luna se juntou à anfitriã no palco e destacou a importância do momento:
“Estou muito honrada de estar dividindo o palco com minhas referências, com essas cantoras que escrevem a história da música baiana e brasileira. Acho que Salvador tem muito o que se orgulhar dessas mulheres, dessas artistas, e que bom que eu figuro dentro desse panteão”, definiu.
A vice-prefeita e titular da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), Ana Paula Matos, enfatizou o simbolismo do evento e o impacto das artistas envolvidas:
“É uma grande alegria reunir tantas artistas que movem a cidade, o mundo e toda uma sociedade num dia tão simbólico e especial para mulheres negras. Estamos finalizando com chave de ouro essa linda e potente programação de Salvador.”
Para a Secretária da Reparação, Isaura Genoveva, é dde suma importância a valorização das trajetórias negras femininas. “O Prêmio Heranças do Poder valoriza as mulheres negras, que fazem da educação, da cultura e do cuidado ferramentas de transformação nos seus territórios. São lideranças que atuam de forma decisiva em comunidades como Ilha de Maré e Alto do Tororó, e em todos os bairros da cidade, preservando nossas raízes e movendo Salvador com sua força”, afirmou.
“Para mim, enquanto mulher negra, é uma alegria e também uma responsabilidade dar visibilidade a essas histórias. Hoje, neste palco, realização a entrega do Prêmio Heranças do Poder, que foi uma articulação entre a SEMUR e as Prefeituras-Bairro, para dar um reconhecimento simbólico, também como um gesto de reparação e de respeito a quem tem o poder de construir vidas com suas próprias mãos”, completou a Secretária.
A trancista Elisangela Lima, 51, conhecida como Eliza Afro, se esbaldou ao som de Larissa Luz. “Maravilhoso, perfeito, muito bem organizado. Um show que reverencia a cultura negra de Salvador, mostrando que aqui a gente tem muita força, sem excluir religião nenhuma. O evento foi voltado para todos os públicos e precisa existir mais como esse”, disse.
Para a cantora Lili Gonçalves, 36, o Mulheres Negras em Movimento fez jus à importância do Dia da Mulher Negra. “O fato de ter artistas com um cunho de visibilidade e importância nacional traz ainda mais representatividade e potência para nós, mulheres negras de Salvador”, avaliou.