FGM entrega título de tombamento provisório à Casa de Ògún

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O dia foi de festa na Casa de Ògún, terreiro que fica na Praça Alcebíades Damasceno, nº 131, no Candeal Pequeno, em Brotas. Nesta terça-feira (19), o templo foi agraciado com a notificação oficial de abertura do processo de tombamento. Com isso, até a conclusão dos estudos necessários para a emissão do parecer final pelo Conselho Consultivo do Patrimônio, a casa passa a ter o tombamento provisório.

O documento foi entregue pelo presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, à Mãe Didi, Yalorixá, que completou recentemente 100 anos de vida. Filho da casa, o cantor Carlinhos Brown e o babalorixá do Ilê Obá L´Okê, doutor em antropologia e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Vilson Caetano, também participaram do evento.

Ao som de cânticos e saudações em iorubá, o presidente da FGM foi recebido por um corredor humano formado por filhos e filhas da casa, que arremessaram grãos de arroz e pétalas de rosas brancas, cumprindo um dos rituais da religião de matriz africana.

Após entregar o documento de tombamento provisório à Mãe Didi, a yalorixá do espaço, ele ressaltou a importância do papel do poder público no trabalho de reconhecimento dos terreiros. “Nosso papel como gestor público é fazer justiça a essas personalidades. Isso aqui é história, é cultura, é religião, é a vida de Salvador. É como muita alegria que informamos que a partir de hoje foi iniciado o processo de tombamento provisório dessa casa. Entrego todo processo a vocês e depositem todas as energias para que o documento definitivo saia logo”, brincou.

Assim que recebeu e assinou a notificação, Mãe Didi agradeceu e em poucas palavras resumiu o significado do processo de tombamento para o terreiro. “Agora temos a nossa garantia”, disse a yalorixá.

Tradição - O pedido de abertura do processo foi feito pela Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro Ameríndia (AFA), através do presidente Leonel Monteiro, que ressalva a importância histórica e cultural do terreiro. “A casa tem uma singularidade em seguir e manter a tradição do mesmo jeito que na África. É o único terreiro que faz culto exclusivamente à divindade Ogum, diferentemente dos demais templos de matriz africana que cultuam todas as divindades coletivas”, explica.

Nascido e criado no Candeal, o cantor e compositor Carlinhos Brown destacou a importância do ato de tombamento para a casa e para os seguidores da religião. “Nós preservamos com muito afinco e respeito a nossa cultura. Aqui é a nossa Catedral de Ogum e eu, como filho dele, não me sinto apenas músico, mas também embaixador da cultura ibero-americana”, frisou o artista.

De acordo com Vilson Caetano, a Casa de Ògún traz em si uma tradição bicentenária, implantada por uma Princesa e Sacerdotisa africana - da Nigéria, há 230 anos. Ela reforçou que é o único espaço de culto exclusivo a Ògún no Brasil, seguindo e mantendo os mesmos ritos como ocorre na África, onde cada região cultua uma divindade da diáspora africana.

Lei municipal - O tombamento municipal de elementos culturais em Salvador está contemplado na Lei Municipal 8.550/2014, que institui normas de proteção e estímulo à preservação do patrimônio cultural do município, e dá outras providências. É parte integrante do Salvador Memória Viva, programa de atividades de proteção e estímulo à preservação dos bens materiais e imateriais do município desenvolvido pela Prefeitura, através da FGM. A primeira ação da lei foi o reconhecimento do conjunto monumental do terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, ou Vodun Zô, na Liberdade, em janeiro de 2016.

FONTE: SECOM

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